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Jorge Gomes

    

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1. Quando e como ingressou na Doutrina Espírita?

   
Em Julho de 1977, numa altura em que Irineu Gasparetto de São Paulo, Brasil, visitava o Núcleo Espirita Cristão, do Porto. Assisti, sem contar, um fenómeno mediúnico que me assegurou a veracidade da comunicação dos espíritos e que, como tal, escancarou as portas para querer saber sempre mais. Como a bibliografia espirita é rica, comecei a estudar e foi impossível parar. O trabalho foi surgindo sempre para consolidar essas informações luminosas.
 

2.  Porquê o espiritismo?
    
Porque é uma filosofia de vida libertadora, a exemplo do que Jesus ensinou. Concilia as grandes revelações do passado com a actualidade nas vertentes mais avançadas do conhecimento.

 

3.  Qual a principal mensagem espírita?

     A mensagem do Espírito de Verdade: amor e instrução. Como qualquer um de nós pode fazer isso sem ter de passar facturas a outrem, é-nos conferida uma vantagem de que só não usufruímos se não quisermos.

 

4.  Como espírita, quem é Jorge Gomes?

     Um companheiro de fraca valia, mas que se sente feliz quando pode contribuir, ainda que de forma acanhada, em tarefas que dignifiquem o ideal espirita.

 

5.  Como está a difusão da doutrina espírita em Portugal?

     Está como é possível. O quadro tradicional de divulgação são as palestras no centro espírita. Pontualmente vão surgindo outras formas de expor as ideias, creio que mais hoje do que há umas décadas, em que o panorama era pior. Também se verifica que desejaríamos que o movimento já dispusesse de todos os quadros técnicos especializados nas diversíssimas áreas de divulgação, não da publicidade; porém, constatamos que ainda há muito improviso e encontramos pessoas que talvez porque gostam muito de fazer isto ou aquilo, nem cogitam de procurar especialistas para os apoiar, o que beneficiaria imenso o resultado final da divulgação.

 

6.  Qual a importância da casa espírita?

     Muito grande. Embora possamos estudar e vivenciar a doutrina  espirita a título meramente pessoal, quando conseguimos trabalhar em equipa ampliamos a capacidade de aprender e de contribuir a favor dos outros companheiros.

 

7. Ao longo destes anos como espírita, certamente teve alegrias e momentos menos felizes. Conte-nos alguns desses momentos que o marcaram como espírita?

     Tive muita alegrias, desde que comecei a interessar-me pelos estudos espiritas, em Julho de 1977. Os três anos de «Além do Véu», em duas rádios locais no Porto, um programa espírita que produzimos e executámos aquando das chamadas rádios-piratas deixaram alguma saudade. Mas há muitos mais. Os momentos especiais, impossíveis de esquecer, são aqueles em que os benfeitores espirituais, desencarnados, nos mostram as suas pegadas de luz, que nos atraem para os horizontes de sabedoria e amor que prcuramos.

 

8. Os livros da codificação espírita escritos por Allan Kardec estão ultrapassados?

     De modo algum. São vigorosos e fundamentais como fonte de estudo constante, se queremos compreender minimamente o espiritismo. Isso não quer dizer que sejam infalíveis – Kardec nunca colocou a questão nesses termos.

 

9.  Qual o livro espírita (excluindo os livros de Allan Kardec) que recomendava para todos os espíritas lerem?

     Lerem, os dirigentes que ainda o não fizeram, e relerem tranquilamente todos nós os que já o lemos e relemos em várias oportunidades: «O Livro dos Espíritos».

 

10. Que mensagem gostaria de enviar ao Núcleo Espírita Rosa dos Ventos e a todos os seus colaboradores?

     Um grande abraço, que é pressuposto desde há umas décadas, tempo contado no qual nos conhecemos. Muito progresso, muito trabalho e paz.

 

11. Por último, o que gostaria de dizer a todos aqueles que procuram pela primeira vez a Doutrina Espírita?

- Olha, Nélson, gostava de lembrar para mim próprio e partilhá-la com quem quiser ler connosco a ideia de Chico Xavier, que disse uma vez e foi escrito: todos passamos, quando procuramos a doutrina espirita, por uma ou por várias destas 3 fases: primeiro entramos no movimento  espírita, depois o espiritismo entra em nós, por fim sai de nós nas nossas atitudes; uns ficam-se pela primeira, outros atingem a segunda; poucos consumam a terceira. Oxalá o futuro quebre esta estatística!

 

                   Entrevista realizada,  Setembro/2003, .