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CONCEITO DE ABORTO

Toda a vez que um óvulo maduro é fecundado por um espermatozóide, o fluxo natural do ovo que se formou será o desenvolvimento até ao parto, possibilitando com isso a reencarnação de um Espírito, que foi designado para habitar aquele corpo, ao qual se liga pelo perispírito, depois de cuidadosa preparação no plano espiritual.

 

     Com efeito, o Espiritismo esclarece que a união da alma com o corpo começa no exacto momento da concepção, quando um laço fluídico, que mais não é do que uma expansão do seu perispírito, liga o Espírito ao ovo, que o atrai por uma força irresistível e que se vai apertando cada vez mais durante toda a gestação. Na medida em que o embrião se desenvolve, o laço vai se encurtando, porque as moléculas do perispírito vão se unindo às células do feto, como a raiz de uma planta vai penetrando a terra. Quando o corpo chega ao seu pleno desenvolvimento, a união do Espírito também está completa, a criança nasce e o grito que ela solta anuncia a sua volta ao mundo dos encarnados.

            Desse modo, toda a vez que esse admirável processo da criação de um novo ser humano, através da união de um Espírito a um óvulo fecundado, for interrompido, de maneira provocada ou espontânea, estaremos diante de um aborto. Se for provocado, o aborto é criminoso mesmo se o embrião não for expulso, principalmente quando a gravidez está no começo, pois ele se dissolve e é reabsorvido, ou calcifica dentro do corpo da gestante.

            Em suma, o aborto é sempre a morte do ovo, embrião ou feto, com ou sem a sua expulsão do corpo da genitora, mas tem que ocorrer a partir do momento da concepção até o início do parto. Fora daí, será infanticídio ou homicídio.

             

CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS E PSÍQUICAS DO ABORTO

 

        1º CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS DO ABORTO

            O impacto do aborto no corpo da gestante e no ovo, embrião ou feto vai depender muito do meio ou método escolhido, da perícia de quem realizar a manobra abortiva e do período de gestação. Tudo isso pode tornar o aborto uma aventura mais ou menos perigosa, incluindo o risco de vida e de esterilidade para a gestante, sem contar a morte ou deformação da criança.

            De facto, os meios abortivos físicos, que são de grande eficácia letal, atingem directamente os organismos da mãe e criança em formação, enquanto que os métodos abortivos psíquicos, visando mais o psiquismo da mulher grávida, só indirectamente lesam os seus corpos. Por outro lado, médicos e enfermeiros, em face da sua formação profissional e do instrumental cirúrgico utilizado, são melhor sucedidos na consumação do aborto do que as gestantes e parteiras, que normalmente usam métodos rústicos e aparelhos improvisados, deixando graves sequelas. Finalmente, se o aborto for realizado até ao terceiro mês, causa riscos menores do que em gestações mais adiantadas.

            Diante disso, as consequências físicas do aborto são imediatas e mediatas. As imediatas causam grave hemorragia, perfurações e infecções da vagina, do útero, das trompas e dos ovários da gestante, que poderá ficar estéril ou até morrer. Já as consequências mediatas envolvem lesões intestinais e estomacais, além da exigência de futuras cirurgias reparadoras da região gástrica e do delicado aparelho genital feminino.

 

        2º CONSEQUÊNCIAS PSÍQUICAS DO ABORTO

            Entre as causas das anomalias psíquicas, o remorso assume especial relevância, porque, ao contrário do arrependimento, que é o primeiro passo para a reabilitação diante de um erro  cometido, aquele provoca o complexo de culpa, levando a pessoa que eventualmente tenha errado a crises nervosas, chegando mesmo à loucura.

É o que acontece, em grande número, com as mulheres que se submeteram a uma prática abortiva. Na medida em que o tempo vai passando, elas vão imaginando a idade que teria o filho que não deixaram nascer, projectando noutras crianças aquela que poderia ser a sua e que foi vítima do aborto cometido. É assim que, primeiramente surge a depressão, seguida de psicoses graves, de qualquer modo exigindo tratamento com remédios controlados, sessões de psicoterapia e até internação em hospital psiquiátrico, tudo por causa de um acto irreflectido.

            Foi por isso que mostrámos a diferença entre remorso e arrependimento, pois enquanto que este último é sadio e leva a pessoa que se envolveu com abortos à busca da reparação do mal através de uma adopção ou de trabalho em casas que cuidam de crianças carentes, fazendo uma espécie de acordo no tribunal da própria consciência, o remorso é patológico e induz o autor da conduta abortiva ao perigoso monoideísmo, que é uma porta escancarada para as anomalias psicológicas e psíquicas referidas.

        Entretanto, convém não confundir essas consequências psíquicas do aborto, com as suas sequelas espirituais (como a obsessão por exemplo), embora reconheçamos que, na prática, essa identificação seja muito difícil.

 

            3º  CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS E PSÍQUICAS DO ABORTO PARA O ESPÍRITO REENCARNANTE

            Para que se possa ter uma ideia acerca das consequências físicas e psíquicas para o Espírito que estava a reencarnar num corpo em formação e que foi abortado, vejamos o seguinte comentário de Graciela Fernández Raineri:

            “Vi o filme médico ‘O Grito Silencioso’, apresentado pelo doutor E. Nathanson, famoso médico ex-aborteiro norte-americano. Ele mostra, mediante uma ecografia realizada na mãe no momento de abortar, o que sucede com esse ser que - apenas agora se sabe com certeza científica - já tem todas as características próprias da vida humana: capacidade sensitiva à dor, ao medo e apego à vida. Ao vê-lo, acreditei ser uma obrigação social divulgá-lo, porque todos (sobretudo as mães) têm o direito de saber o que realmente sucede num aborto.

            “Em instantes prévios à operação abortiva, vê-se o feto (neste caso verídico, de doze semanas) com movimentos calmos, colocando o polegar na boca de vez em quando, totalmente tranquilo nesse ambiente de paz, como é o claustro materno. Ao introduzir o aborteiro no útero o primeiro elemento metálico procurando a bolsa amniótica para o seu rompimento, o novo ser perde o seu estado de tranquilidade. O seu coração acelera enquanto tenta movimentos nervosos de mudança de lugar. A bolsa é rota e introduz-se o instrumento de aspiração. É notório que nenhum dos elementos metálicos tocou ainda no feto e no entanto ele pressente algo anormal e terrível próximo a lhe suceder, porque agora muda de lugar num ritmo enlouquecido para os lados e para cima, num desesperado intento de escapar. O seu ritmo cardíaco eleva-se ainda mais. Quando o metal já está quase a tocá-lo, encolhe todo o seu corpinho até ao limite superior do útero e a sua boca abre-se desmesuradamente. Aqui é alcançado pela aspiradora, que desde as suas extremidades inferiores o vai aspirando e até destroçando, até ficar somente a cabeça, que não passa pelo conduto de aspiração. Esta é triturada, então , com uma espécie de tenaz que vai retirando os pedaços do que foi um ser humano aterrorizado, que ainda desde tamanha desigualdade de condições, fez o impossível para não morrer e, no instante final, abrindo a sua boca ao máximo, como um último intento de expressão humana - ainda desconhecida e prematura, porém sem dúvidas com o instinto da sua natureza - de pedir auxílio... A quem??

            Diante disto, resta lamentar que os autores de abortos desconheçam e desprezem a realidade, revelada pela Doutrina Espírita , no sentido de que, desde muito antes da concepção já existe um Espírito designado para a reencarnação, o qual sofrerá gravíssimas consequências físicas e psíquicas decorrentes do aborto, uma vez que foi condenado injustamente e à revelia pelos seus implacáveis carrascos. Assim, indefeso no útero materno, não podendo sequer mostrar uma lágrima que pudesse sensibilizá-los, terá o seu corpo em formação aniquilado ou submetido a irreversíveis mutilações, além de suportar a repercussão psíquica da conduta abortiva.

 

CONSEQUÊNCIAS ESPIRITUAIS DO ABORTO

            Todas as pessoas vivas têm alma, que é a sua essência, sede da inteligência e dos sentimentos; um corpo físico, animado pelo princípio vital, e o perispírito, que liga a alma ao corpo e que por isso é semi-material, ou seja, na sua composição entram elementos próximos da matéria corporal e do Espírito, que, para progredir, tem de encarnar e reencarnar inúmeras vezes, normalmente junto com pessoas que em vidas passadas tiveram ligações negativas com ele e que devem ser ajustadas pelos laços de família.

            Assim, enquanto está no plano espiritual, contando sempre com a orientação de entidades superiores, o Espírito planeia a próxima existência no mundo físico, quase sempre de acordo com os futuros pais, ainda que velhos ressentimentos possam dificultar um pouco esse longo trabalho.

            Chegando a época da concepção, o Espírito, esquecendo o passado para não recair em vícios ou reincidir em hábitos desagradáveis, vai-se unindo ao embrião através do perispírito, que nele se enraíza até à completa fusão, que ocorre no momento em que a criança nasce.

            Desse modo, durante a gestação inteira o Espírito assimila não só as vibrações da sua, como de certa forma sente os seus pensamentos e acções, principalmente quando são manifestações de afecto ou de ódio. Assim, se os pais frequentam locais saudáveis, mantêm relações amistosas e a gestante segue uma dieta adequada, naturalmente essa gravidez resultará numa criança dócil e sadia. Porém, desequilíbrios psicológicos que levam os genitores a planear um aborto, mesmo que ele não se consume, reflectirão em traumas no filho.

            Se o aborto for consumado, o Espírito será obrigado a recomeçar uma existência totalmente nulificada pela irresponsabilidade dos pais. Como ainda não está preparado para perdoar, ele passa a emitir vibrações de angústia, desespero e até de vingança contra os seus algozes, os quais terminam abatidos pelo remorso e pelos males que normalmente os atingem depois da prática abortiva.

            De facto, entre as causas de obsessões e anomalias psíquicas, o remorso assume um papel importante, porque provoca a culpa e leva a pessoa que errou a ter crises nervosas e delírios, chegando até à loucura. É o que acontece, em grande número, com gestantes e aborteiros profissionais, muitos deles obrigados a prolongadas internações em hospitais ou a longas permanências nas prisões, sem contar com as desagradáveis surpresas que os esperam depois da morte, cuja duração vai depender do seu sincero arrependimento, o qual, embora seja o primeiro passo para a regeneração, não basta por si só, porque também são necessárias a expiação e a reparação.

            Com efeito, quem não repara o seu erro numa existência por fraqueza ou má vontade, entrará em contacto numa existência futura com as mesmas pessoas que tiverem queixas de si, isto em condições voluntariamente escolhidas, de modo a demonstrar-lhes reconhecimento e a fazer-lhes todo o bem correspondente ao mal que lhes tenha feito.

            Essas lições espíritas, constantes do código penal da vida futura, devem ser aplicadas em todos os casos de aborto, devendo os culpados procurar imediato arrependimento e buscar logo a reparação do mal, seja através da adopção ou de trabalho em casas assistenciais, fazendo enfim uma espécie de acordo com a própria consciência.

            Isto porque a necessidade de reparação é um princípio de rigorosa justiça, que pode ser considerada uma verdadeira reabilitação moral dos Espíritos. Muitas pessoas acham mais cómodo quitarem-se das más acções por um simples arrependimento, através de fórmulas sagradas; contudo, crendo-se assim quites, verão mais tarde que isso não basta, que a expiação e a reparação do mal também são necessárias.

            Aliás, poderíamos perguntar: será que as leis dos homens se dariam por satisfeitas, se um aborteiro dissesse ao juiz que estava arrependido? Será que a justiça divina é inferior à justiça dos homens?

            Desse modo, o orgulhoso deve tornar-se humilde; o áspero amável; o perverso maleável; o preguiçoso trabalhar; o inútil virar útil e o aborteiro lutar pelo direito de nascer, todos trocando os seus maus procedimentos por condutas exemplares. É assim que, aproveitando-se do seu passado, o espírito progride na senda evolutiva e a humanidade caminha rumo à regeneração social.

 

CONSEQUÊNCIAS PERISPIRITUAIS DO ABORTO

            O Perispírito revela que o Espírito tem centros vitais que sofrem as consequências dos nossos erros, inclusive do aborto provocado. Assim, o centro vital principal, chamado centro coronário, supervisiona os outros centros e transmite-lhes os impulsos oriundos do Espírito. Situa-se na região central do cérebro, sede da mente, de onde assimila os estímulos superiores e orienta a forma, o movimento, a estabilidade, o metabolismo orgânico e a vida consciencial da alma, encarnada ou desencarnada.

            Dentre os demais centros secundários, entrelaçados no corpo físico através dos plexos, há o centro cerebral, junto ao coronário; o centro laríngeo, controlando a respiração e a fonação; o centro cardíaco, dirigindo a emotividade e a circulação das forças de base; o centro esplénico, responsável pelo sistema circulatório, dentro das variações de meio e volume sanguíneo; o centro gástrico, encarregado pela digestão e absorção dos alimentos, e, aquele que agora nos interessa mais de perto, o centro genésico, que dirige a modelagem das novas formas humanas e estabelece estímulos criadores no trabalho, na associação e nas realizações entre as pessoas.

            A mulher sofre mais do que o homem as consequências perispirituais do aborto, porque prometeu exercer a missão da maternidade com honradez. Optando pelo aborto criminoso, acaba por desarranjar o centro genésico e fica predisposta a dolorosas enfermidades como inflamações da vagina, infecções generalizadas na região genésica e até o cancro do colo do útero, que costumam inclusive evoluir para o óbito. No além-túmulo ela descobre que a morte não existe, que continua viva, e, presa do remorso, fica remoendo por muito tempo aquela conduta infeliz.

            Mais tarde, ao retornar à vida terrena, os estragos no seu perispírito, responsável pela formação do seu futuro corpo carnal, vão causar-lhe problemas reencarnatórios sérios durante a existência, relacionados principalmente com infertilidade, deficiências hormonais, útero infantil, hemorragias, gravidez molar ou ectópica, descolamento da placenta e abortos espontâneos.

            A gestante que agride o aparelho genital para abortar, também traumatiza o centro genésico situado no perispírito, que fica ‘danificado’ naquela região, provocando distorções no futuro corpo, inclusive a infertilidade, pois quando ela podia ser mãe, não quis, e agora que quer, não pode.

            E se nascer fértil, poderá receber como filho o Espírito que abortou e com quem ainda não se reconciliou. Assim, durante a gravidez haverá uma intensa troca de vibrações negativas que, se não provocar o aborto espontâneo, com certeza estremecerá as relações entre eles na infância, na juventude e até que se perdoem reciprocamente.

            Por outro lado, os casos de fetos malformados podem estar relacionados com Espíritos que, em vidas passadas, transtornaram a forma perispiritual em aventuras criminosas e suicidas, os quais a aborteira do passado recebe agora como filhos torturados e infelizes, a quem devotará muito sacrifício e carinho, exercendo a maternidade com pureza e regenerando o seu perispírito.

            O homem também não sai ileso do aborto criminoso, pois sofrerá consequências como doenças nos testículos, problemas no funcionamento das glândulas internas e transtornos mentais, tudo por força de obsessões estabelecidas por Espíritos retardatários e cujos corpos ele matou - ou ajudou a matar - e que ainda não se encontram em condições de perdoá-lo.

            Concluindo, é bom lembrar que nada disto tem a ver com punição de Deus. Trata-se apenas da lei de acção e reacção, que tem plena vigência na natureza e dá a cada um o que merece, no mundo físico e depois da morte