voltar

OS FLUIDOS

Natureza e propriedades dos fluidos

 

     A ciência deu a chave dos milagres que  mais particularmente derivam do elemento material, seja explicando-os, seja demonstrando a sua impossibilidade, segundo as leis que regem a matéria. Porém, os fenómenos nos quais o elemento espiritual tem parte preponderante, não podendo ser explicados unicamente pelas leis da matéria, escapam às investigações da ciência e, por isso é que eles têm mais que os outros, os carácteres aparentes do maravilhoso. É pois nas leis que regem a vida espiritual que se pode encontrar a chave dos milagres dessa categoria.

      O fluido cósmico universal é a matéria elementar primitiva. Está colocado entre o espírito e a matéria, exercendo o papel de intermediário, para que o espírito possa exercer alguma acção sobre ela. Esse fluido é “susceptível de inumeráveis combinações e, sob a acção dos espíritos, de produzir infinita variedade de coisas. Ele, sendo o agente de que o espírito se serve, é o princípio sem o qual a matéria permaneceria em perpétuo estado de dispersão e não adquiriria jamais as propriedades que a gravidade lhe dá.

Como princípio elementar universal, oferece dois estados distintos:

  1. o de eterização ou de imponderabilidade que se pode considerar como o estado normal, primitivo;

  2. o de materialização ou de ponderabilidade.

O ponto intermediário é o da transformação do fluido em matéria tangível, porém, mesmo aí não há uma transição brusca pois, podem-se considerar nossos fluidos imponderáveis como um termo médio entre os dois estados ”   ( A Génese, cap. XIV, item 2).

Cada um desses estados dá lugar a fenómenos especiais:

  1. os do mundo visível, fenómenos materiais, que são da alçada da ciência propriamente dita

  2. e os do mundo invisível, chamados fenómenos espirituais ou psíquicos e são da atribuição do espiritismo.

     A mesma matéria elementar é susceptível de passar por todas as modificações e adquirir todas as propriedades, é por isso que podemos dizer que tudo está em tudo, como se lê no Livro dos Espíritos (pergunta 33).

     Em seu livro “ Mecanismos da Mediunidade”, André Luiz, nos diz, que na criação do macro ao micro-cosmo, percebemos as manifestações da eterna sabedoria que mobiliza agentes incontáveis para a estruturação de sistemas e formas, em variedade infinita de graus e fases e, entre o infinitamente pequeno e o infinitamente grande surge a inteligência humana, dotada igualmente da faculdade de mentalizar e co-criar empunhando, para isso, os recursos intrínsecos à vida ambiente.

“ É onde os poderes do espírito se manifestam.”

     Como já foi dito, das inúmeras modificações surge o chamado fluido eléctrico ou fluido eléctrico animalizado, fluido magnético, princípio vital ou fluido vital,etc.

     “O perispírito, ou corpo fluídico dos espíritos é um dos produtos mais importantes do fluido cósmico. É uma condensação deste fluido em torno de um foco inteligente ou alma”.

     “O corpo carnal e o corpo perispiritual também têm sua origem no mesmo elemento primitivo. Ambos constituem matéria embora em dois estados diferentes” ( A Génese, cap. XIV, item 7).

     “Como os espíritos extraem o seu perispírito do meio em que se encontram, esse envoltório é formado de fluidos ambientais. Disso resulta que os elementos constitutivos do perispírito variam, segundo os mundos e conforme o grau de cada um” ( A Génese, cap. XIV, item 8).

     É por isso que a constituição do perispírito não é idêntica em todos os espíritos, encarnados ou desencarnados. Com a evolução moral do espírito, seu perispírito se modifica em cada encarnação, tornando-se mais subtil e eterizado.

“O princípio ou fluido vital é a causa da animalização da matéria. Pode-se dizer que ele é efeito e causa, pois a vida é um efeito produzido pela acção de um agente sobre a matéria, mas esse agente sem a matéria não é vida, da mesma forma que a matéria não pode viver sem ele. É ele que dá a vida a todos os seres materiais que o absorvem e assimilam” ( Livro dos Espíritos, perguntas 62 e 63).

     A vitalidade é, portanto uma propriedade especial da matéria universal, devida a certas modificações desta. Não é um atributo permanente do agente vital, mas se desenvolve com o corpo. É necessária a união de ambos para produzir a vida. Pode dizer-se que a vitalidade permanece latente, enquanto o agente vital ainda não se uniu ao corpo.

     “O conjunto dos orgãos constitui uma espécie de mecanismo, impulsionado pela actividade íntima ou princípio vital, que nele existe. O princípio vital é a força motriz dos corpos orgânicos. Ao mesmo tempo em que o agente vital impulsiona os orgãos, a acção destes entretêm e desenvolve o agente vital, mais ou menos como o atrito produz o calor” ( Livro dos Espíritos, pergunta 67-A).

     “Os espíritos actuam sobre os fluidos espirituais, manipulando-os por meio do pensamento e da vontade. Imprimem a esses fluidos esta ou aquela direcção; aglomeram-nos, combinam-nos ou dispersam-nos; com eles formam conjuntos de aparências, forma ou de cor determinadas; modificam-lhes as propriedades.

     É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual. Basta ao espírito pensar alguma coisa para que esta se produza, assim como basta modular a área, para que esta repercuta na atmosfera” (A Génese, cap.XIV, item 14).

     O pensamento dos espíritos pode, pois, modificar as propriedades dos fluidos e esta acçção gera consequências de uma importância directa e capital para os encarnados.

     Os fluidos originalmente neutros, ao se tornarem veículo do pensamento, ficam impregnados das qualidades boas ou más dos pensamentos que os põem em vibração. Segundo tais circunstâncias, estas qualidades são temporárias ou permanentes, o que os torna mais especialmente próprios para a produção de determinados efeitos. Sob o aspecto moral, os fluidos trazem cunho dos sentimentos exteriorizados de ódio, inveja, ciúme, orgulho, egoísmo, violência, hipocrisia, bondade, benevolência, amor, caridade, doçura, etc. Com respeito ao lado físico, são excitantes, calmantes, penetrantes, adstringentes, irritantes, suavizantes, soporíficos, narcóticos, tóxicos, reparadores, expulsores, etc.

     O quadro dos fluidos seria, pois, o de todas as paixões, virtudes e vícios da Humanidade e, o das propriedades da matéria, correspondentes aos efeitos que produzem.

     Ao encarnar-se o espírito com o seu perispírito, com as qualidades que lhe são próprias e, como se sabe, não fica circunscrito ao corpo, mas irradia-se à sua volta, envolvendo-o com uma espécie de atmosfera fluídica. Assim o perispírito desempenha um papel preponderante no organismo, pois, por sua expansão, põe o espírito encarnado em comunicação mais directa com os espíritos livres e com outros encarnados.

     Sendo o perispírito dos encarnados de natureza idêntica à dos fluidos espirituais, ele os assimila com facilidade. Esses fluidos têm sobre o perispírito uma acção directa, quando este, por expansão e por irradiação se mistura com eles. É, pois, necessário que haja sintonia vibratória. O perispírito, por sua vez, age sobre o organismo material com o qual está em contacto molecular.

     Se os fluidos forem de natureza boa, o corpo sente uma impressão salutar, se forem maus, a impressão é penosa. Se os fluidos maus forem permanentes e fortes, poderão determinar perturbações físicas. Ambientes desajustados estão impregnados de maus fluidos, que são absorvidos pelo perispírito, assim como os miasmas pestilentos são absorvidos pelo corpo físico.

     Não podemos esquecer que a irradiação fluídica, quer seja expressa através de palavras, de acção ou não, nem por isso deixa de existir e actua sempre no meio onde é produzida. O pensamento produz um tipo de efeito físico que reage sobre o moral. O homem o sente instintivamente, visto que procura as reuniões homogéneas e simpáticas, nas quais encontrará novas forças morais.

 

?Como, pois, evitar a influência dos maus fluidos?

     O meio é muito simples pois depende da vontade da própria pessoa. Os fluidos se unem devido à similitude de suas naturezas. Fluidos dissemelhantes se repelem. Há incompatibilidade entre os bons e os maus fluidos.

     À invasão de maus fluidos é preciso pois, oporem-se os bons fluidos e, como cada um tem no próprio perispírito uma fonte fluídica permanente, carrega consigo mesmo o remédio, criando forças repulsoras às más influências.

     O perispírito é, portanto, uma couraça à qual é necessário que se dê a melhor têmpera possível. As qualidades do perispírito são proporcionais às da alma. É, então, necessário trabalhar pelo próprio melhoramento, porquanto são as imperfeições da alma que atraem os maus fluidos.

( Livro dos Espíritos e A Génese de Allan Kardec e Mecanismo da Mediunidade de André Luiz)

 

Emmanuel em seu livro “Vinha de Luz”, lição 173, nos diz:

     “Todos os serviços da fé viva representam, de algum modo, aquele pão que Moisés dispensou aos Hebreus, alimento valioso, sem dúvida, mas que sustenta o corpo apenas por um dia e cuja finalidade primordial é a de manter a sublime oportunidade da alma em busca do verdadeiro pão do Cristo.

     O espiritismo evangélico, nos dias que correm, é abençoado celeiro desse pão. Em suas linhas de trabalho, há mais certeza e esperança, mais entendimento e alegria. Esteja, porém, cada companheiro convencido de que o esforço pessoal no Pão Divino para a renovação, purificação e engrandecimento da alma, há-de ser culto dominante no aprendiz, ou prosseguiremos nas mesmas obscuridades mentais e emocionais de ontem”.

 

ESPÍRITO - PERISPÍRITO - CORPO FÍSICO

     Repassando os tempos de evolução da técnica, mostra a história da ciência que a vida era entendida, na Antiguidade, há cerca de 5000 anos, como a expressão do conjunto matéria - espírito. Neste passado distante, os antigos desenvolviam a união do corpo e do espírito como um dado sem provas. Partiam do pressuposto lógico decorrente das suas experiências pessoais. Pode-se ver isto no “Bhagavad Gita”, a mensagem do Mestre, da editora Pensamento; n’ “O Livro dos Mortos” do Antigo Egipto, da Hemus Editora limitada; no “Bardo Thodol” chamado “O Livro dos Mortos” tibetano e no “Segredo da Flor de Ouro” dos chineses.

     Os estudos desenvolvidos por Plotino e seus discípulos mais famosos, Porfírio, Jamblico e Proclus, foram condenados. O resultado foi que o Cristianismo colocou o plano material e o plano espiritual em territórios estanques, sem nenhuma possibilidade de comunhão entre eles e, como traço de união, criou o Purgatório, chamando feitiçaria a qualquer tentativa de inter-relação espírito - matéria. Com o espiritismo vieram as explicações mais racionais sobre o fenómeno da grande vida.

 

 O Espírito

     O Livro dos Espíritos (cap. I, perg.76), desdobrando o Mundo espírita aos olhos do Homem, define os espíritos como sendo “os seres inteligentes da criação”, que são criados por Deus permanentemente, sem forma definida para os encarnados, que se apresentam ao Mundo espiritual como “uma chama, um clarão ou uma lentelha etérea”.

     Todos são criados iguais e dotados de faculdades a serem desenvolvidas através das experiências reencarnatórias que levam ao progresso da humanidade.

     Allan Kardec, em sua obra “A Génese” expõe claramente o seu pensamento e separa o princípio espiritual do princípio vital e do próprio elemento cósmico universal (cap. XI, item 5) e afirmando na mesma obra (cap. VI, item 19) que:

     “O espírito não chega a receber a iluminação divina que lhe dá , simultaneamente, com o livre-arbítrio e a consciência, a noção de seus altos destinos, sem haver passado pela série divinamente fatal dos seres inferiores, entre os quais se elabora lentamente, a obra de sua individualização. É somente a partir do dia em que o Senhor lhe imprime na fronte o seu tipo augusto, que o espírito toma lugar entre as Humanidades”.

 

 O Perispírito

     Como corpo fluídico dos espíritos, é o laço que prende a alma ao corpo, envoltório forrado de fluidos ambientes.

     Allan Kardec ( A Génese, cap.XIV, item 7 e 8) afirma que o “corpo fluídico dos espíritos” é um dos mais importantes produtos do fluido cósmico e diz que o corpo físico também dele se origina, apenas que mais condensado e transformado em matéria tangível.

     Por isso é que cada meio, cada globo, vai dar os elementos inerentes à sua natureza. Planetas mais evoluídos terão matéria mais subtil e, portanto, neles os espíritos comporão seus perispíritos de forma mais quintessenciada. Em contrapartida, em mundos mais primitivos, os perispíritos serão mais grosseiros.

     A função do perispírito, como laço fluídico, é ligar, na encarnação, o espírito ao corpo físico.  Na morte deste, quando deixa de absorver o fluido vital, desfaz-se a união.

Allan Kardec (A Génese, cap. XI, item 18) conclui que “não é a partida do espírito que causa a morte do corpo, mas sim, a morte do corpo que causa a partida do espírito”.

 

 Corpo Físico

     O corpo físico é o reflexo do corpo espiritual e este retrata em si mesmo o corpo mental que lhe preside a formação. O corpo do homem é um organismo aperfeiçoado através de longa evolução. Seus orgãos foram adaptados, para executarem tarefas que só competem à espécie humana. Essa evolução não se faz por acaso, nem só pelas leis biológicas, mas obedecendo a uma orientação do plano maior. Assim, o encarnado possui todas as possibilidades de actuação no seu corpo físico. Nele actua, desde os actos reflexos até aos intelectuais e recebe dele as mais variadas impressões pelos orgãos dos sentidos.

     O corpo é um ser vivo formado pela união de elementos chamados “células”, que se reúnem para formar os tecidos, os orgãos, etc. Um  conjunto de orgãos, que executa o mesmo tipo de trabalho, constitui um sistema ou um aparelho. As células variam em forma e tamanho e são constítuidas de três partes:

  1. Membrana

  2. Citoplasma

  3. Núcleo

 

     Na Biologia, o conceito actual de célula pode ser resumido nas quatro proposições seguintes:

1º.   Todos os organismos, virtualmente, são formados por células. As células constituem as unidades de estrutura dos seres orgânicos.

2º.       Elas são a sede de todas as reacções metabólicas de um organismo.

3º.  Se originam, unicamente, de células preexistentes. É a biogénese  ( desenvolvimento da vida). Um organismo pluricelular cresce pela duplicação de suas células individuais. Não há geração espontânea.

4º.       As células contêm material (ácido nucleico), por meio do qual características específicas são transmitidas da célula - mãe à célula - filha.

     Esse material contém um código que assegura a continuidade da espécie de uma geração celular à geração seguinte ( Mendel, Estudo da Biologia Baker e Allen).

     O eminente André Luiz em sua obra “Evolução em dois Mundos”, cap.V, nos fala:

     “Que as células, articulam-se de múltiplas formas, adaptando-se às funções que lhe competem... À maneira de peças electromagnéticas superinteligentes, atendendo com precisão matemática aos apelos da mente”. Como tijolos numa obra de alvenaria “as células são compelidas à disciplina perante a ideia orientadora que as associa e governa”.

     Cada célula sabe sua função e a executa rigorosamente, porque possui mente e consciência, e na ciência oficial ao analisar o núcleo, os fisiologistas, descobriram que dentro dele, estão escritos, em linguagem cifrada, quais os direitos e deveres da célula: o que ela tem que executar durante toda a sua vida; o padrão a que deve obedecer; a saúde que deve manter ou a doença que deverá provocar e em que época o deverá fazer; numa palavra todo o seu comportamento ao longo da vida.

     Essas ‘ordens’, diz a Fisiologia, são “representadas” por uma substância denominada “ácido desoxirribonucleico”. Essa substância “representa” a mente da célula tal como o cérebro “representa” a mente espiritual e, rege todas as acções, operações e transmissões físicas, químicas, eléctricas e magnéticas da vida da célula (Técnica da Mediunidade, C. Torres Pastorino, pág.65).

     As células recebem alimentos nutritivos do meio exterior, os incorporam à sua substância e eliminam as inúteis ou tóxicas. Estas funções de assimilação e eliminação é que constituem o metabolismo celular. O corpo físico é formado de tecidos que são agrupamentos de células semelhantes. Temos os seguintes tecidos:

 

O Epitelial

     Serve para revestir as superfícies externas do corpo (pele) e internas (mucosa) ou para produzir secreções.

O Conjuntivo

           condições, como cartilaginoso, ósseo e adiposo.

O Sanguíneo ou Hemotopoietico

     Formado pelos glóbulos vermelhos ou hemácias, que transportam o oxigénio às células do corpo todo , pelos glóbulos brancos ou leucócitos que são os elementos de defesa do organismo contra as infecções e pelas plaquetas que têm papel na coagulação do sangue.

O Muscular

Formado pelos músculos, que são de três tipos:.

  1. Estriado - responsável pelos movimentos voluntários;

  2. Liso - forma as paredes do estômago, intestino, bexiga, etc;

  3. O Miocárdio - forma o coração.

O Tecido Nervoso

     É altamente diferenciado com funções complexas e extremamente delicadas, o seu elemento básico é o neurónio ou célula nervosa, que é de dois tipos: dentritos e axônios. Os nervos são reuniões de axônios.

     Os orgãos são formados por tecidos, um ou vários, para realizarem funções definidas no corpo humano, como, por exemplo, ossos, estômago, coração, etc.

 

     Os sistemas são um conjunto de orgãos, que são os seguintes:

Tegumentar - Formado pela pele e seus orgãos anexos: unhas, pêlos, glândulas, etc.

Esquelético - Constítuido pelos ossos.

Muscular - Formado pelos músculos estriados, lisos e cardíacos.

Digestivo - Constítuido pela boca, faringe, esófago, estômago e intestinos.

Respiratório - Formado pelo nariz, faringe, laringe, traqueia, brônquios e pulmões.

Circulatório - Formado pelo coração, artérias, veias e capilares.

Urogenital - Abrange os sistemas urinário e o genital ou reprodutor:

Urinário é formado pelos rins, bacinetes, ureteres, bexiga e uretra.

Genital na mulher, compõe-se pelos ovários, útero e vagina, no homem, pelos testículos, epidídimo, canais deferentes e vesículas seminais.

Endócrino - Formado pelas glândulas endócrinas, hipófise, tiróide, paratiróide, timo, supra-renais, pâncreas, epífise, ovários e testículos.

Nervoso - Formado por células especiais, chamadas neurónios e subdivide-se em:

Cérebro espinhal ou da vida da relação, isto é, voltado para todas as actividades conscientes;

Vago simpático ou autónomo que comanda, fora da acção da vontade, o funcionamento dos orgãos.