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O PASSE MAGNÉTICO

“O Passe é uma transfusão de energias, mas nem todos os doentes alcançam a mais leve melhora e, isso se dá pela falta de confiança. ,É indispensável a fé, para que a criatura registre o socorro de que necessita”.

Pensam alguns que o passe no aparelho físico serve para fazer receber espíritos, movimentar as mãos como se empurrassem alguém. Devem sim, ser dados de cima para baixo (sempre no mesmo sentido) para que o efeito não seja anulado. Ou seja, relembramos que no corpo humano, as partes que revelam maior magnetismo são as extremidades, os membros superiores, em que o lado direito tem magnetismo positivo e o lado esquerdo tem magnetismo negativo.

OBS: “Quando desejamos lançar fluidos é através das mãos, saindo eles pelas pontas dos dedos”.

 

Quando sentimos qualquer dor, levamos a mão ao local para restabelecer o equilíbrio de electrões: é o passe instintivo e natural. Os passes são portanto um ‘derramar’ de electrões para restabelecer o equilíbrio daquele que recebe o passe.

As pessoas doentes (a quem faltam electrões) não devem dar passes, pois em lugar de dar electrões tirariam os poucos do paciente. Convém lembrar que existem criaturas sem electrões positivos, possuem excesso de carga negativa. Terão estes de fazer em primeiro lugar passes ‘de descarga’ retirando a carga negativa, para depois dar-lhes electrões.

Razão pela qual algumas pessoas menos esclarecidas, dando passes sem técnica, absorvem os fluidos negativos dos pacientes, necessário, em nossa opinião, devem submeter-se a “passes dispersivos” para limpar as cargas negativas, fortalecendo-se depois compasses de fornecimento de energias.

O socorro através do passe, aos que sofrem do corpo e da alma, é instituição de alcance fraternal que remonta aos mais recuados tempos.

O Novo Testamento, para nos referirmos apenas ao movimento evangélico, é valioso repositório de factos nos quais Jesus e os apóstolos aparecem dispensando “pela imposição de mãos ou pelo influxo da palavra, recursos magnéticos curadores”.

Nos tempos actuais tem cabido ao Espiritismo na sua feição de Consolador Prometido, conservar e difundir esta modalidade de socorro espiritual. Os Centros Espíritas convertem-se, assim, numa espécie de refúgio para aqueles que não encontram na terapêutica da Terra o almejado lenitivo para seus males físicos e mentais.

André Luiz, não se esqueceu de no seu livro “Nos Domínios da Mediunidade” oferecer interessante capítulo “Serviço de Passes” em que nos transmite sábios esclarecimentos quanto à conduta do médium passista, bem como daquele que procura beneficiar-se com o socorro magnético.

Passaremos a referir-nos ao trabalho do médium passista, ou seja, aos requesitos indispensáveis, aos que neste sector colaboram.

OBS: Existem dois tipos de passes assim descriminados:

  1. Passe Magnético ministrado com os recursos do próprio médium;

  2. Passe ministrado com os recursos magnéticos hauridos, no momento, do Plano Divino.

 

Em qualquer dessas modalidades, o passe procede sempre de Deus. Tal certeza, deve contribuir para que o médium seja uma criatura humilde, cultivando a ideia de que é um simples intermediário do Supremo Poder, não lhe sendo lícito, atribuir para si mesmo qualquer mérito no trabalho. O sentimento de vaidade, contribui para a insensatez o que levaria à queda

Além da humildade, deve ainda o médium passista cultivar as seguintes qualidades:

a.     boa vontade;

b.    prece e mente pura;

c.     elevação de sentimentos de Amor: “Àquele que mais tem mais lhe será dado” afirmou Jesus.

A prece, no entanto, representa elemento indispensável para que a alma do passista estabeleça o contacto directo com as forças do Bem, favorecendo a canalização através da mente, dos recursos magnéticos das esferas elevadas.

OBS: “A oração é prodigioso banho de forças, tal a vigorosa corrente mental que atrai. Por ela o médium passista consegue duas coisas importantes e que asseguram o êxito da sua tarefa:

 

1º Expulsar do próprio mundo interior os sombrios pensamentos remanescentes da actividade comum, durante o dia de lutas materiais.

2º Absorver do Plano Espiritual “as substâncias renovadoras de que se repleta, a fim de operar com eficiência a favor do próximo.

Através dessa preparação em que “se limpa”, para limpo, melhor servir, consegue o médium passista, simultaneamente, ajudar e ser ajudado, ou seja, receber e dar ao mesmo tempo.

“Quanto mais se renova para o Bem e se moraliza, se engrandece, espiritualizando-se, maiores possibilidades de servir adquire o companheiro que serve ao Espiritismo cristão no sector dos Passes”.

A renovação mental é um processo de desobstrução de um canal comum, para que através dele possam fruir, incessantemente, as energias salutares. A nossa mente é um canal, quando se encontra desobstruída também o canal está desobstruído. Entretanto, mencionados alguns factores positivos, convém lembrar alguns negativos e que reduzem as possibilidades dos companheiros menos vigilantes de darem e como deviam.

Por exemplo:

  1. mágoas excessivas e paixões;

  2. alimentos inadequados e alcoólicos;

  3. desequilíbrio nervoso e inquietação.

Todo o médium passista, naturalmente, medianeiro da espiritualidade superior, deve cuidar da saúde física e mental. Alimentação excessiva favorece a vampirização da criatura por entidades infelizes, ocorrendo o mesmo com os alcoólicos em demasia.

O equilíbrio do sistema nervoso, bem como a ausência de paixões obsidentes, favorecem um estado recéptico favorável à transmissão do passe.

“Não esquecendo que o passe é uma transfusão de energias psicofísicas e o veículo dessa transfusão deve ser bem cuidado”.

Emmanuel, aconselha que a ‘higiene’, a temperança, a medicina preventiva e a disciplina jamais deverão ser esquecidas, advertindo ainda que tudo navida é afinidade e comunhão sob leis magnéticas que lhe presidem os fenómenos.

Assim temos que:

“Os doentes se afinam com os doentes”

“O médium passista receberá sempre de acordo com as atitudes que adoptar perante a vida”.

Nenhum de nós, nem médium passista algum, terá por certo a pretensão de obter os sublimes resultados alcançados por Jesus, em todos os seus momentos de apostolado de Luz, e pelos apóstolos em numerosas ocasiões, no entanto, convém que nos eduquemos mentalmente. Lembramos que se nos afiguram impositivos que não podemos nem devemos subtrair.

OBS: “Todo o médium passista deve afeiçoar-se à instrução, ao conhecimento para preparar-se a si mesmo, para poder filtrar para a vida e para os homens o que significa luz e paz.

 

Nesta oferta humilde, que a F.E.P. coloca ao alcance de todos os espíritas interessados, a fim de que, sem excepção, todos possamos rentabilizar melhor este serviço, em nosso movimento, salientaremos ainda a importância de outros requesitos não menos importantes a implementar nas casas espíritas:

  1. horário

  2. confiança

  3. harmonia interior

  4. respeito

 

Salientamos que o problema de pontualidade é fundamental para o serviço de passe, uma vez que, os médiuns passistas se encontram na dependência da esfera espiritual e se não confiar no Alto, limitam a capacidade de recepção, ou seja, fecham as portas da “casa mental” não dando acesso à entrada de recursos magnéticos salutares, em que a confiança bem como o factor “harmonia interior” é imprescindível para uma boa filtragem de fluidos curadores.

Quanto ao respeito perante a tarefa assistencial do passe, necessário e urgente se faz, respeitemos o Pai Celestial e aos instrutores espirituais, assim como àqueles que lhes buscam o concurso.

 

Na Hora do Passe

O tratamento mediante o passe pode ser feito directamente com o enfermo presente aos trabalhos ou através de irradiações magnéticas com o enfermo à distância.

Aqui lembramos um episódio à época de Jesus, quando um centurião romano, enviou um grupo de judeus à sua procura, para que pudesse prestar assistência ao seu servo doente. Jesus se prontificara a visitá-lo, no entanto, lhe dão a entender que o centurião não está em condições de recebê-lo e que lhe bastava ordenar aos seus subalternos, logo estes lhe obedeceriam, como os seus fazem com ele. O Mestre ao analisar tanta fé, os mandou em paz e, quando estes chegaram a casa do Centurião, o servo estava curado. Quem seriam os subalternos? Que se teria operado à distância?

(Mateus, VIII, 5 - 13)

 

No passe directo, deve o médium orar com sinceridade, será envolvido pelos fluidos magnéticos curadores absorvidos no Plano Superior e que se canalizam para o organismo do doente.

No passe à distância chamado ‘irradiação’ o médium sintonizado com o paciente, canaliza para o mesmo, fluidos salutares e benéficos.

Aqui observamos que nas chamadas “reuniões de irradiação” os doentes são beneficiados não só em virtude dos fluidos dirigidos conscientemente pelos encarnados, bem como pelas energias extraídas dos presentes, pelos benfeitores espirituais que as conduzem ao local onde se encontram os enfermos.

Todos aqueles que possuem fé robusta e sincera, recolhimento e respeito ante o trabalho que se propõe a realizar, são excelentes receptores de fluidos magnéticos. O paciente com fé, no momento em que recebe o passe, sua mente e seu coração funcionam à maneira de poderoso íman, atraindo e aglutinando as forças curativas. Com o paciente descrente, irónico e duro de coração, o fenómeno é naturalmente oposto porque repele os eflúvios magnéticos que o médium envia para o seu organismo.

Será aconselhável que o indivíduo ore em silêncio enquanto recebe o passe para que sua organização psicológica absorva integralmente as energias projectadas pelo passista. Para que tal facto ocorra, deve o médium passista aconselhar o melhor possível o paciente sobre o momento do passe e o que dele ocorre a benefício de todos. Para melhor entendermos, atentemos nos trechos a seguir extraídos do capítulo “Serviço de Passes” da obra “Nos Domínios da Mediunidade” de André Luiz:

“Alinhando apontamentos, começamos a reparar que alguns enfermos não alcançavam a mais leve melhora. As irradiações magnéticas não lhes penetravam o veículo orgânico. Registando o fenómeno, a pergunta de Hilário não se fez esperar: Porquê?

- Falta-lhes o estado de confiança, esclareceu o orientador.

- Será, então, indispensável a fé para que registrem o socorro de que necessitam?

-AH! Sim. Em fotografia precisamos da chapa impressionável para deter a imagem, tanto quanto em electricidade carecemos do fio sensível para a transmissão da luz. No terreno das vantagens espirituais, é imprescindível que o candidato apresente uma certa tensão favorável.” E mais adiante:

“Sem recolhimento e respeito na receptividade, não conseguimos fixar os recursos imponderáveis que funcionam em nosso favor, porque o escárnio e a dureza de coração podem ser comparados a ‘espessas camadas de gelo’ sobre o templo da alma”.

OBS: Fé, mais recolhimento, mais respeito somam, receptividade.

 

 Porque não os Passes Padronizados?

É inegável para todos nós que a “Terapia do Passe” é uma modalidade de amparo, de socorro fraterno, terapia herdada do Cristo e hoje bastante praticada nos Centros Espíritas, embora essa prática tenha sido exercida de todos os tempos e lugares.

Neste contexto, tomamos conhecimento das várias modalidades de socorro, que são empregues pelas diversas correntes religiosas, consciente ou inconscientemente e dos mais exóticos ritualismos, de acordo com o grau de conhecimento de cada um sobre assunto tão delicado, como é o passe magnético.

As Casas Espíritas, devem enquadrar-se no verdadeiro sentido de unidade como Allan Kardec, o sábio codificador, tanto desejou e nos deixou bem  vincada sua orientação, bem como, o eminente Dr. Bezerra de Menezes, ao seu tempo, viu coroado de êxito, seus esforços para agregar os espíritas em tarefas unificadoras.

Leon Denis, em sua obra “No Invisível”, cap. V, nos esclarece sobre o assunto em questão.

Os eflúvios (fluidos) do corpo humano são luminosos, coloridos de tonalidades diferentes - dizem os sensitivos, que os distinguem na obscuridade. Certos médiuns podem vê-los mesmo em plena luz, a escapar-se das mãos dos magnetizadores.

Tais eflúvios formam em torno do Homem camadas concêntricas que constituem uma espécie de atmosfera fluídica. É a “aura” dos ocultistas ou fotosfera humana, pela qual se explica o fenómeno de exteorização da sensibilidade, pelas experiências do Coronel de Rochas, do Dr. Luys, do Dr. Paul Poire, etc.

Se o passe é uma “transfusão de energias dirigidas”, se os “fluidos do corpo humano são luminosos e coloridos”, se faz necfessário e urgente que o candidato a médium passista tome disso conhecimento, estude, se moralize, proceda à reforma íntima e, aprenda também a manipular os fluidos luminosos e coloridos, para que a sua transfusão seja benéfica, auxiliando de certa forma os benfeitores espirituais nesse trabalho.

 

 Quanto às formas de aplicação

Analisando, então, que o magnetismo, considerado em seu aspecto geral, é a utilização, sob o nome de fluido, da força psíquica por aqueles que abundantemente a possuem, lembramos que:

“Não há necessidade de tocar, de forma alguma e sobre qualquer pretexto, no paciente (assistido) para que a transmissão do fluido ocorra. Esta é feita de aura para aura. O encostar de mãos em quem recebe o passe, causa reacções contrárias à boa recepção dos fluidos, cria situações embaraçosas que convém prevenir”.

O toque com as mãos no assistido, o perturba, pois a cada toque é tirado de sua concentração.

Ainda no capítulo V da obra citada, encontramos a seguinte recomendação:

“Que a vontade de aliviar, de curar - comunica ao fluido magnético propriedades curativas. O remédio para os nossos males está em nós. O Homem pode actuar sobre os seres débeis e enfermiços, regenerá-los pela simples imposição de mãos.

O Passe, opera-se mais frequentemente por meio de gestos, denominados, rápidos ou lentos, longitudinais ou transversais, conforme o efeito calmante ou excitante que se quer produzir nos pacientes.

OBS: Devem os médiuns passistas, preocuparem-se mais com os pensamentos para movimentar os fluidos do que com os gestos extravagantes e descaracterizados, a fim de que não se desviem dos princípios básicos da própria Doutrina”.

 

 Quanto à posição do assistido

André Luiz no seu livro “Mecanismos da Mediunidade”, cap.X - Fluido Mental - nos informa:

“Campo da aura - articulando ao redor de si mesma, as radiações das sinergias funcionais das agregações celulares do campo físico ou do psicosspmático, a alma encarnada ou desencarnada está envolvida na própria aura ou túnica de forças electromagnéticas, (halo vital), em cuja tessitura circulam as irradiações que lhe são peculiares, havendo a necessidade, em se permitir que os fluidos percorram e inundem todo o sistema biopsicossomático, revigorando e reactivando as forças electromagnéticas do halo vital.”

Não existem atitudes convencionais sobre determinadas imposições feitas aos assistidos, entretanto, será de admitir um comportamento disciplinado, a boa postura, a receptividade, sempre que possível, devem ser orientados de como sentar-se comodamente colocando as mãos espalmadas sobre as pernas, convidando o assistido a elevar-se mentalmente ao Plano Espiritual, são recomendações sádias.

Relembrando ainda aos médiuns passistas, que não fazem concorrência com a Medicina, devendo informar o assistido a recorrer à mesma quando necessitado da sua terapia, não descorando, no entanto, a acção fluídica, uma vez que, como todos sabemos os recursos terapêuticos de origem espiritual não entram em conflito com os usados pela Medicina.

É desaconselhável que médiuns invigilantes incorram em recomendar aos assistidos seus receituários, que poderão tornar-se perigosos, como “curandeirismo”.

  1. Aos dirigentes das Casas Espíritas de médio ou grande movimento, caberá a grande tarefa de pautarem pelo tipo de passe harmonioso, evitando a multiplicidade de fórmulas contraproducentes, espectaculares, ridículas e algumas até ofensivas.

  2. Cabe ainda aos dirigentes, informar os médiuns passistas que não há necessidade de incorporação de espíritos para transmitir passes, pois com os trabalhos bem organizados, com equipas bem preparadas, a terapia do passe se torna eficaz e produtiva.

  3. Mais informando:

  4. No Plano Espiritual, o ambiente é preparado e previamente inundado de fluidos curadores, de certa forma coloridos (verde, azul...)

  5. Os benfeitores espirituais reforçam com fluidos próprios ou energias de seu ambiente, cósmico ou universal; esses fluidos e energias são projectadas através dos médiuns ou directamente sobre os assistidos.

  6. No Plano Material, no ambiente já saturado de fluidos curadores os médiuns aplicam sobre o assistido uma corrente formada pelos seus próprios fluidos, mais as energias captadas pelas mãos, pelos centros de forças, o esplênico em especial, emanadas pelos cooperadores espirituais.

  7. A disciplina, o estudo e o esforço, confere ao médium passista a oportunidade de se melhorar gradativamente, compreendendo que os recursos magnéticos, bem dirigidos penetram o “halo vital” ou aura dos assistidos.

  8. Reconhecerá que:

  9. O tratamento pelos passes visa, justamente, promover o reajustamento do equilíbrio interno e externo, provocando no organismo as reacções necessárias, de acordo com as Leis da Natureza.

  10. Que a saúde resulta da sintonia vibratória entre os orgãos e sistemas internos do organismo, assim como deste com o meio ambiente, pelo jogo ininterrupto das absorções e eliminações, condensações e dispersões de energia.

  11. “O magnetismo não se limita unicamente à acção terapêutica, tem um alcance muito maior. É um poder que desata os laços contritores da alma e descerra as portas do Mundo Invisível. É uma força que em nós dormita e que utilizada, valorizada, por uma preparação gradual, por uma vontade enérgica e persistente, nos desprende do peso carnal, nos emancipa das leis do tempo e do espaço, nos dá o poder sobre a Natureza e sobre as criaturas”.