Voltar
Poesia Espirita

 

POESIA ESPÍRITA

2º Concurso de Poesia Espírita Rosa dos Ventos
 

Glosas à Rosa e ao que ela sugere.
 
 I
 Se fora só cardeais,
Crucífera chegaria
Para enfrentar vendavais.
Mas eis que a ventania
Sugere também o nordeste
E outros colaterais:
O noroeste, o sueste
E o sudoeste, ademais.
 
II
 Assim, com oito pétalas,
A rosácea é formada.
Une estames e sépalas
E floresce delicada
A rosa-orientação,
Buscando com raro ardor,
Rumos de intensa paixão,
Caminhos de vero amor.
 
III
 Mesclando amor com arte
Em literatura capaz
De lançar por toda a parte
Probos desígnios de paz
Que em boa hora queremos
Para enrijar pensamentos.
Saudamos e saudaremos
O Núcleo Rosa dos Ventos.
 
IV
 Esmerada gratitude
E carinho nos merece
Nesta era fera e rude
Em que o mundo emudece
No estertor da confusão,
Chocado, irreflectido,
Errante, em perseguição
Do devaneio querido.
 
 
V
 Vamos lá agora a ver
Nos tempos da transição
O que se poderá fazer
Sem coarctar a razão.
Teremos de emendar
Leis já certificadas?
Há regras a erradicar,
Mesmo que consagradas?
 
VI
Ora, como retorquir?
Se o absoluto é fugaz,
Cada mente deve abrir
Para afirmar como faz,
Imaginando o real
A domar o espanto.
Se o ente não é mortal,
Pode passar a ser santo.
 
 
VII
 Ah! vontade pueril
A puxar, a empurrar.
Mesmo que o esmeril
Freme o entusiasmar,
Teremos de insistir.
Por cada chispa da sorte,
Surte vida a redimir
Logo depois da morte.
 
 
VIII
 Se o amanhã for decerto
O hoje continuado,
Sem hiatos, nem deserto,
Fica então facilitado
O caminho para trilhar.
Se o todo fizer sentido,
Porque havemos de pasmar
Com o consolo prometido?
  

Miguel Boieiro