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SEXUALIDADE  e  ESPIRITISMO

 
 

 

 

PARTE II  - PERGUNTAS E RESPOSTAS  
 

 

        O Sexo, inspiração divina para a perpetuação das espécies, degrada-se na plataforma actual do comportamento humano, maioritariamente desvirtuador da sua essência.

Para explicar as causas das aflições provocadas pelo desregramento sexual, nada há que se compare à lógica e simplicidade dos conceitos espíritas.

     O Sexo é, enquanto actividade-fim (amor em comunhão e perpetuação da espécie), valioso instrumento de integração da criatura com o Criador; a sua desvirtuação em actividade-meio (luxúria) é distanciamento do Bem.

     Mas, afinal, o que significa "sexualidade"? Recorrendo ao Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa, temos a seguinte definição:

"sexualidade [De sexual + - i - + - dade] Substantivo feminino.

1. Qualidade de sexual.

2. O conjunto de fenómenos da vida sexual.

3. Sexo [Sexo: Sensualidade, volúpia, lubricidade, sexualidade ]"

     As definições que iremos destacar são as duas últimas. Quando falamos em sexualidade, estamos a trabalhar com dois conceitos absolutamente distintos. O primeiro é o conceito do conhecimento dos fenómenos que regem a vida sexual do indivíduo. O segundo é o conceito de sensualidade.

Recorrendo mais uma vez ao Dicionário Aurélio, temos a definição de sensual:

"sensual [Do latim sensuale]. Adjectivo, 2 géneros.

1. Respeitante aos sentidos.

2. Que denota sensualidade (...)

3. Lúbrico, voluptuoso, lascivo (...)"

     Referindo-se à definição do conhecimento da própria natureza sexual, logicamente de uma maneira saudável, os Espíritos responderam a Allan Kardec várias questões em “O Livro dos Espíritos”, das quais seleccionamos duas:

 

Q. 200 - Têm sexos os Espíritos?

Resposta: "Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos."

Q. 822 a) - "(...) Os sexos, além disso, só existem na organização física. (...)"

 

     Como se pode perceber claramente, o conhecimento da sexualidade do ponto de vista espiritual traz ao ser humano mais auto-conhecimento. Nesse sentido, é estimulado - e até considerado muito importante - pelos Espíritos. No entanto, por outro lado, temos a "sexualidade" entendida como sensualidade. A respeito disso temos a citação abaixo de “O Livro dos Espíritos”, Introdução VI: "Ensinam-nos que o egoísmo, o orgulho, a sensualidade são paixões que nos aproximam da natureza animal, prendendo-nos à matéria (...)", quando Kardec faz um resumo dos ensinamentos dos Espíritos. Por essa passagem, podemos entender que quando a "sexualidade" é entendida - e vivida - como um apego excessivo as "sensações" materiais, ela é considerada uma "paixão" ou um "vício", que "aproxima o espírito do animal".Quando falamos de Espiritismo, falamos do estudo dos processos pelos quais nós, espíritos imortais, somos submetidos das Leis de Deus. Entender como esse processo de vinculação se dá a partir de práticas quotidianas é a chave para que entendamos a necessidade de alterarmos o nosso pensamento e as nossas acções no sentido da liberdade e não da escravidão.

     Jesus, há 2000 anos atrás, disse no Sermão do Monte, segundo o Evangelista Mateus (Capítulo 5, versículos 27 e 28): "Ouvistes que foi dito aos antigos: Não cometerás adultério. Eu, porém, vos digo que qualquer que atentar numa mulher para a cobiçar, já em seu coração cometeu adultério com ela." Inaugurava a Era do Espírito. Quando Jesus se referiu a vários pontos da Lei Mosaica e os complementou, mostrando a todos a força definitiva do pensamento além da acção, ele falava do espírito.

      Ora, o pensamento não cessa, não morre com a carne. Portanto, se o pensamento está vinculado à matéria, o espírito assim também o estará, sofrendo todas as consequências disso. Parece-nos bastante simples.

     O grande desafio do Espírita é, portanto, compreender e agir no sentido de libertar o seu pensamento das sensações materiais, alçando voos mais altos em direcção à sua essência, que independe da matéria. Em tudo na vida, não culpar, mas corrigir, não desistir, mas compreender que o erro, às vezes, um passo para o acerto. Com esse entendimento sem tabus do sexo como processo divino, iremos fazer de nós certamente espíritos melhores.

 

       Ao falar-se em Sexualidade e Espiritismo, vem-nos à mente a seguinte questão: os espíritos desencarnados mantêm vida sexual activa?

            Como foi citado de “O Livro dos Espíritos” na introdução da palestra, copiamos novamente:

Q. 200 - Têm sexos os espíritos?

Resposta: "Não como o entendeis, pois que os sexos dependem da organização. Há entre eles amor e simpatia, mas baseados na concordância dos sentimentos."

     No entanto, em “A Génese”, Capítulo XIV, item 4, quando Kardec trata dos Fluidos Espirituais, lemos: "É assim, por exemplo, que um Espírito se faz visível a um encarnado que possua a vista psíquica, sob as aparências que tinha quando vivo na época em que o segundo o conheceu, embora haja ele tido, depois dessa época, muitas encarnações." Continuando, lê-se: "Não quer isso dizer que haja conservado essas aparências, certo que não, porquanto, como Espírito, ele não é coxo, nem maneta, nem zarolho, nem decapitado; o que se dá é que, retrocedendo o seu pensamento à época em que tinha tais defeitos (...) o seu perispírito lhes toma instantaneamente as aparências, que deixam de existir logo que o mesmo pensamento cessa de agir naquele sentido."

     Sob esse aspecto, portanto, podemos dizer que os espíritos desencarnados que se mantém em pensamento nas funções sexuais que são, na verdade, constituintes da sua organização física - e que não precisam existir enquanto Espírito - realmente plasmam esses órgãos e essa organização no seu corpo espiritual e podem sim, por meio da acção do pensamento modificando esses fluidos espirituais, manterem "relações sexuais".

     Cabe, no entanto, ressaltar que espíritos dessa inferioridade normalmente necessitam "compartilhar" com os encarnados fluidos ainda mais pesados, razão pela qual estabelecem com pessoas encarnadas de pensamentos igualmente transviados obsessões simples, compartilhando-lhes os sentimentos, para se reportarem ao prazer que não mais podem possuir - o da sensação física.