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Maria Manuela Luz

Dirigente do N.E.R.V

 
 

Sou Espírita!

Nasci num tempo de ditadura política e religiosa, onde a religião católica Apostólica Romana tinha o poder absoluto sobre o povo. Fiz o percurso normal de uma jovem católica, do baptizado até ao crisma. Apesar de imensas dificuldades sócio-económicas, arranjei tempo para ser catequista na minha paróquia. Naquela altura nunca tinha ouvido falar na doutrina espírita. Aliás, nesses tempos não se podia falar de nada, nem de questionar as ordens politico-religiosas do governo de estado. Caso contrário, seria oportuna e silenciosamente aniquilada pelas forças policiais do regime.

Era uma época conturbada de medos e incertezas!

Conheci a doutrina espírita há 25 anos atrás, através de meu marido (José António Luz), que me apresentou as directrizes no estudo doutrinário do espiritismo. No início, não acreditei, era muito difícil acreditar na reencarnação e na conversação com os espíritos. Instalou-se a confusão na minha vida, tudo o que tinha aprendido na igreja desde criança já não fazia muito sentido.

Comecei a ler as Obras Básicas da codificação espírita e incessantemente procurei mais literatura espírita(Léon Denis, Bezerra de Menezes,Yvonne A. Pereira, José Herculano Pires, Chico Xavier,Divaldo Franco, Raul Teixeira, etc.) e cheguei à feliz realidade.

No espiritismo entregamo-nos em ávida expectativa, confiantes da sua grandeza e sabedoria, fruindo o inebriante vapor do conhecimento, embalsamando-nos em seu Amor.

Nada é por acaso, tudo tem sua hora. Eu e meu marido juntamente com uns amigos do ideal espírita elaboramos e construímos o Núcleo Espírita Rosa dos Ventos.

Foram momentos de profundo Amor que existia entre todos os fundadores do N.E.R.V., a primeira casa espírita de Leça da Palmeira na cidade de Matosinhos.

Tive a feliz oportunidade de presenciar vários encontros com Divaldo Pereira Franco (o maior Orador da doutrina espírita). Foram momentos de sublime espiritualidade, horas que passavam como se poucos segundos fossem, tal o encanto, a magnitude dos mesmos.

Frequento e participo com muita voluntariedade nas actividades semanais da nossa casa espírita. Ao longo destes tempos, o N.E.R.V., nunca parou de trabalhar na ânsia de ajudar o próximo.

Todas as quintas-feiras à noite pratico o evangelho no lar. A família reúne-se ao redor da mesa, para estudar o Evangelho Segundo o Espiritismo. Coloca-se um pequeno jarro com água que durante o estudo vai sendo fluidificada pelos bons espíritos. Na oração, pedimos sempre protecção para nós e para todos os espíritos encarnados e desencarnados, lemos e debatemos uma passagem do livro.

A doutrina espírita ensina que já é hora das pessoas procurarem evoluir para algo além dos objectivos materiais. Infelizmente, ainda persiste a maledicência na nossa sociedade hipócrita que faz falsos juízos de valor em relação ao espiritismo. O que os vizinhos vão dizer ou não, é problema deles, o que pensamos e construímos nas nossas vidas é algo que só a nós diz respeito.

 Não podemos viver em função do que os outros pensam, na tentativa frustrada e impossível de satisfazer a todos, pois nunca se pode agradar a gregos e a troianos.

Cristo é o Modelo e Guia da Humanidade, o médico das almas e, mesmo assim, foi crucificado. Será que temos condições para julgar quem quer que seja? Não podemos envergonhar-nos da religião que com muito Amor abraçamos, certamente porque nos dá o conforto e Paz  que necessitamos. Se alguém é intolerante de tal modo que não nos aceita sem, sequer, nos conhecer, será que é tão merecedor de nossa amizade a ponto de negarmos a nossa fé?

Fui arrebatada pela lógica do espiritismo porque ele mostra a grandiosidade da Justiça Divina. É religião que melhor explica de onde viemos, e para onde vamos.
 

Hoje é o futuro que já chegou, como o ontem é o hoje que já passou. Então, viver hoje, é tirar o melhor proveito no sentido positivo da vida.

“Espíritas, amai-vos, eis o primeiro ensino; instruí-vos, eis o segundo”